"Uma oração sem fé é uma fórmula vazia. Quem é tolo a ponto de perder tempo pedindo algo em que não crê?
A fé é o manancial; a oração, o riacho. Como pode correr o riacho se o manancial está seco?"
(Santo Agostinho)

domingo, 30 de janeiro de 2011

SETE DOMINGOS EM HONRA DE SÃO JOSÉ


Oração:

Pois sois santo sem igual e de Deus o mais honrado:

Sede, São José, nosso advogado nesta vida mortal.

Antes que tivesteis nascido, já fosteis santificado, e ao eterno destinado para ser favorecido: nascesteis de esclarecida linhagem e sangue real.

Sede, São José, nosso advogado nesta vida mortal.

Vossa vida foi tão pura que em tudo sois em segundo depois de Maria, o mundo não viu mais santa criatura; e assim foi a vossa ventura e entre todos sem igual.

Sede, São José, nosso advogado nesta vida mortal.

Vossa santidade declara aquele caso soberano, quando em vossa santa mão floresceu a seca vara; e para que ninguém duvira, fez o céu esta sinal.

Sede, São José, nosso advogado nesta vida mortal.

Á vista deste milagre, todo o mundo vos respeitava, e parabéns vos dava com alegria e contentamento; publicando o casamento com a Rainha Celestial.

Sede, São José, nosso advogado nesta vida mortal.

Com júbilo recebesteis a Maria por esposa, Virgem pura, santa, linda, com a qual feliz vivesteis, e por ela conseguisteis dons e luz celestial.

Sede, São José, nosso advogado nesta vida mortal.

Ofício de carpinteiro exercitasteis em vida, para ganhar a comida para Jesus, Deus verdadeiro, e a vossa Esposa, luzeiro, companheira virginal.

Sede, São José, nosso advogado nesta vida mortal.

A vós e Deus com terno amor dava a um ao outro vida, Vós o com a comida, e Ele a Vós com seu sabor: Vós lhe desteis o suor, e Ele vos deu a vida imortal.

Sede, São José, nosso advogado nesta vida mortal.

Vós fosteis a concha fina, onde com inteireza se conservou a pureza daquela Pérola Divina, vossa Esposa e Mãe digna, a qual nos tirou do mal.

Sede, São José, nosso advogado nesta vida mortal.

Primeiro Domingo

A dor: Quando estava disposto a repudiar a sua Imaculada esposa.

A alegria: Quando o Arcanjo lhe revelou o sublime mistério da encarnação.

Oh! castíssimo esposo de Maria, glorioso São José, que aflição e angustia a do vosso Coração na perplexidade em que estavas sem saber se devias abandonar ou não a vossa esposa sem mancha! mas qual não foi também vossa alegria quando o anjo vos revelou o grande mistério da Encarnação!

Por essa dor e essa alegria vos pedimos que consoleis o nosso Coração agora e nas nossas últimas dores, com a alegria de uma vida justa e de uma santa morte semelhante á vossa, assistidos por Jesus e Maria.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória.

Segundo Domingo

A dor: Ao ver nascer o menino Jesus na pobreza.

A alegria: Ao escutar a harmonia do coro dos anjos e observar a glória dessa noite.

Oh! Bem-aventurado patriarca, glorioso São José, escolhido para ser pai adotivo do Filho de Deus feito homem: a dor que sentisteis vendo nascer o menino Jesus em tão grande pobreza se mudou de certo em alegria celestial ao ouvir o harmonioso concerto dos anjos e ao contemplar as maravilhas daquela noite tão resplandecente.

Por essa dor e essa alegria alcançai-nos que depois do caminho desta vida possamos ir escutar as adorações dos anjos e gozar dos resplendores da glória celestial.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória.

Terceiro Domingo

A dor: Quando o sangue do menino Salvador foi derramado na sua circuncisão.

A alegria: Ao ouvir o nome de Jesus.

Oh! executor obedientíssimo das leis divinas, glorioso São José: o sangue preciosíssimo que o Redentor menino derramou na sua circuncisão vos traspassou o coração; mas o nome de Jesus que então lhe deram, vos confortou e encheu de alegria.

Por essa dor e essa alegria alcançai-nos viver separados de todo o pecado, a fim de expirar alegres, com o santíssimo nome de Jesus no Coração e nos lábios.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória.

Quarto Domingo

A dor: A profecia de Simão, ao predizer os sofrimentos de Jesus e de Maria.

A alegria: A profecia da salvação e gloriosa ressurreição de inumeráveis almas.

Oh! Santo fidelíssimo, que tivesteis parte nos mistérios da nossa redenção, glorioso São José; ainda que a profecia de Simão acerca dos sofrimentos que deviam passar Jesus e Maria vos causou dor mortal, sem dúvida vos encheu também de alegria, anunciando-vos ao mesmo tempo a salvação e ressurreição gloriosa que dali se seguiria para um grande número de almas.

Por essa dor e por essa alegria consegui-nos de sermos do número dos que, pelos méritos de Jesus e a intercessão da bem-aventurada Virgem Maria, haverão de ressuscitar gloriosamente.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória.

Quinto Domingo

A dor: No seu trabalho de educar e servir o Filho do Altíssimo, especialmente na viagem para o Egipto.

A alegria: Ao ter sempre com ele o Deus verdadeiro, e vendo a queda dos ídolos do Egipto.

Oh! custodio vigilante, familiar íntimo do Filho de Deus feito homem, glorioso São José, o quanto sofrestes tendo que alimentar e servir o Filho do Altíssimo, particularmente na vossa fuga para o Egipto! Mas quão grande foi também a vossa alegria tendo sempre convosco o mesmo Deus e vendo derrubados os ídolos do Egito.

Por essa dor e essa alegria, alcançai-nos afastar para sempre de nós o tirano infernal, sobretudo fugindo das ocasiões perigosas, e derrubar no nosso coração todo ío dolo de afecto terreno, para que, ocupados em servir Jesus e Maria, vivamos tão somente para eles e morramos alegres no seu amor.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória.

Sexto Domingo

A dor: Ao regressar á sua Nazaré por medo de Arquelau.

A alegria: Ao regressar com Jesus do Egipto a Nazaré e a confiança estabelecida pelo anjo.

Oh! anjo da terra, glorioso São José, que pudesteis admirar o Rei dos céus, submetido aos vossos mais mínimos mandatos; ainda que a alegria ao trazer-lhe do Egipto se mudou por temor de Arquelau, sem dúvida, tranquilizado logo pelo anjo, vivesteis feliz em Nazaré com Jesus e Maria.

Por essa dor e essa alegria, alcançai-nos a graça de desterrar do nosso Coração todo o temor nocivo, possuir a paz de conciência, viver seguros com Jesus e Maria e morrer também assistidos por eles.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória.

Sétimo Domingo

A dor: Quando sem culpa perde Jesus, e o busca com angustia por três dias.

A alegria: Ao encontrá-lo no meio dos doutores no Templo.

Oh! modelo de toda santidade, glorioso São José, que havendo perdido sem culpa vossa o menino Jesus, o buscasteis durante três dias com profunda dor, até que, cheio de alegria, o achasteis no templo, no meio dos doutores.

Por essa dor e essa alegria, vos suplicamos com palavras saidas do coração, intercedais em nosso favor para que jamais nos suceda perder Jesus por algum pecado grave.

Mas, se por desgraça o perdermos, fazei que o busquemos com tal dor que não achemos sossego até encontrá-lo benigno sobre tudo na nossa morte, a fim de irmos para céu e cantar eternamente convosco as suas divinas misericórdias.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória.

ORAÇÃO UNIVERSAL (DO PAPA CLEMENTE XI)


Senhor, creio em Vós, fazei que creia com mais firmeza; espero em Vós, fazei que espere com mais confiança; amo-Vos, aumentai o meu amor; arrependo-me, e avivai a minha dor.


Adoro-Vos como primeiro princípio; desejo-Vos como último fim; exalto-Vos como benfeitor perpétuo; invoco-Vos como defensor propício.


Dirigi-me com a Vossa sabedoria; atai-me com a vossa justiça; consolai-me com a Vossa clemência e protegei-me com o Vosso poder.


Ofereço-Vos os meus pensamentos, para que se dirijam a Vós; as minhas palavras, para que falem de Vós; as minhas obras, para que sejam Vossas; as minhas contrariedades, para que as aceite por Vós.


Quero o que quereis, quero porque o quereis, quero como o quereis, quero enquanto o quiserdes.


Senhor, peço-Vos que ilumineis a minha mente, inflameis a minha vontade, limpeis o meu coração e santifiqueis a minha alma.


Que me afaste das faltas passadas; rejeite as tentações futuras; corrija as más inclinações; pratique as virtudes necessárias.


Concedei-me, Deus de bondade, amor por Vós; zelo pelo próximo; desprezo pelo mundano.

Que saiba obedecer aos superiores, ajudar os inferiores, acolher os amigos e
perdoar os inimigos.


Que vença a sensualidade com a mortificação, a avareza com a generosidade, a ira com a bondade e a tibieza com a piedade.


Fazei-me prudente nos conselhos, constante nos perigos, paciente nas contrariedades e humilde na prosperidade.


Que procure ter inocência interior, modéstia exterior, conversa exemplar e vida ordenada.

Que lute para dominar a minha natureza, fomentar a graça, servir a vossa lei e obter a salvação.


Que aprenda de Vós como é pouco o terreno, como é grande o divino, como é breve o tempo, como é duradouro o eterno.


Fazei-me preparar a morte, temer o juízo, evitar o inferno e alcançar o paraíso.

Por Cristo Nosso Senhor.


Ámen.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

MARIA SANTISSIMA, MODELO DE PACIÊNCIA


Patientia vobis necessaria est: ut volutatem Dei facientes reportetis promissionem -- «A paciência vos é necessaria, a fim de que fazendo a vontade de Deus alcanceis a promessa» (Heb. 10, 36)

Sumario. Deu-nos Deus a Santíssima Virgem como exemplar de todas as virtudes, mas especialmente da paciência. Semelhante á rosa, ela cresceu e viveu sempre entre os espinhos da tribulação. Se, portanto, quizermos ser filhos desta Mãe, força é que procuremos imitá-la, abraçando com resignação as cruzes; e não sómente as que nos vierem directamente de deus, mas também as que vierem da parte dos homens, tais como sejam as perseguições e os despresos.

I. Sendo esta terra um lugar de merecimentos, chama-se com razão vale de lágrimas. Todos somos aqui postos para padecer, e fazer, por meio da paciência, aquisição das nossas almas para a vida eterna, como já disse o Senhor: In patientia possidebitis animas vestras [1] -- «Na paciência possuireis as vossas almas». Deus nos deu a Virgem Maria para exemplar de todas as virtudes, ms especialmente da paciência. Pondera entre outras coisas São Francisco de Sales, que foi exatamente para este fim que nas bodas de Caná, Jesus Cristo deu á Santissima Virgem aquela resposta, com que mostrava estimar pouca as suas suplicas: Quid mihi et tibi est, mulier? -- «Que há entre mim e ti, mulher?» Foi exactamente para nos dar o exemplo da paciência da sua Santa Mãe.

Mas que andamos excogitando? Toda a vida de Maria foi um exercicio continuo de paciência; porquanto, como o Anjo revelou a Santa Brigida, a Bemaventurada Virgem, semelhante á rosa, cresceu e viveu sempre entre os espinhos das tribulações. Só a compaixão das penas do Redentor foi suficiente para fazê-la martir de paciência, razão porque disse São Boaventura: Cruxifixa Cruxifixum concepit -- «A Crucificada concebeu o Crucificado». – E quanto ela sofreu, tanto na viagem para o Egipto e na demora ali, como durante todo o tempo que viveu com o Filho na oficina de Nazaré, não cansemos de aprecia-lo dignamente. Mas deixando o mais de lado, não basta por ventura só a campanha que Maria fez a Jesus moribundo no Calvario, para fazer conhecer quão constante e sublime foi a sua paciência? Stabat iuxta crucem Iesu Mater eius [2] -- «Ao pé da cruz de Jesus estava sua Mãe». No dizer do B. Alberto Magno, precisamente pelo merecimento desta sua paciência foi ela feita nossa Mãe que compadecendo com o seu Filho nos gerou para a vida da graça: Maria facta est mater nostra, quos genuit Filio compatiendo.

II. Se desejamos ser filhos de Maria, é preciso que procuremos imita-la na paciência, suportando em paz tanto as cruzes que nos vierem directamente de Deus, isto é, a pobresa, as desconsolações espirituais, a enfermidade e a morte; como também as que nos vierem directamente da parte dos homens, perseguições, despresos, injurias e seduções. S. Gregório explicando este trecho de Oseias: Saepiam viam tuam spinis [1] -- «Fecharei o teu caminho com espinhos», diz que assim como a sebe de espinhos guarda a vinha, assim Deus cerca de tribulações os seus servos, para que não se afeicoem ao mundo. De modo que, conclui São Cipriano, a paciência é a virtude que nos livra do pecado e do inferno, e enriquece-nos com merecimentos na vida presente e com a glória na outra. – É a paciência que faz os Santos, como diz São Tiago Patientia autem opus perfectum habet, ut sitis perfecti et integri in nullo deficientes [2]. Por esta razão São João viu todos os Santos com palmas (simbolo do martirio) nas mãos [3]; o que significa que todos os adultos que se salvam, devem ser martires, ou de sangue ou de paciência. «Alegremo-nos, pois», exclama São Gregório: «se sofrer-mos com paciência as penas desta vida, podemos ser martires, sem o ferro dos algozes.» Oh, quanto nos aproveitará no céu cada pena sofrida por amor de Deus! – Se alguma vez o peso da cruz se nos afigurar demasiadamente duro, recorramos a maria, que é chamada a medicina dos corações angustiados e a consoladora dos aflitos.

Ah! Senhora minha suavissima! Padecestes inocente com tanta paciência. E eu, réu do inferno, recusarei padecer? Minha Mãe, peço-vos hoje esta graça, não de ficar livre das cruzes, mas de suportá-las com paciência. Por amor de Jesus vos peço, que sem tardar me alcanceis de Deus esta graça; de vós a espero. (*I 269)

Retirado de: MEDITAÇÕES de Santo Afonso Maria de Ligório - Tomo I

domingo, 26 de dezembro de 2010

ORAÇÃO A NOSSO SENHOR JESUS CRISTO


Ó Jesus meu, filho amoroso da Santíssima Virgem Maria e ao mesmo tempo Filho único de Deus; Deus verdadeiro e eterno, junto com o Pai que no seio da sua natureza infinita Vos formou, dando-Vos o Seu próprio ser, e com o Espirito Santo, procedente do Pai e de Vós, espirito de ambos e subsistente amor Vosso, eu Vos adoro e reconheço pelo meu único e verdadeiro Deus, Criador do Universo ao qual conservais e governais com infinita sabedoria, bondade soberana e supremo poder! Suplico-vos, Senhor, pelos méritos da Vossa Sacratíssima humanidade, que me purifiqueis com o Vosso sangue, de todos os meus pecados; que derrameis sobre mim a abundância do Vosso Espirito junto com as virtudes e os dons; que me concedais a graça de crer e esperar em Vós de amar-Vos sobre todas as coisas, de que todas as minhas acções sejam merecedoras da vida eterna, e a graça, sobre todas apreciável, de possuir-Vos eternamente na glória com os Vossos anjos e santos. Amen.

(Por decreto do Santo ofício de 22 de Janeiro de 1914, Sua Santidade o Papa São Pio X se dignou conceder in perpetuum 100 dias de indulgência, aplicáveis em sufrágio ás almas do purgatório, a todos os fiéis que devotos e contritos, rezarem uma vez ao dia a oração anterior)

Retirado de: A Suma Teológica em Forma de Catecismo

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

FELIZ NATAL

«Glória a Deus nas alturas e paz
na terra aos homens,
do Seu agrado».
(Lc. 2, 14)

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

ORAÇÃO DE SANTO AFONSO À SENHORA IMACULADA


Ó minha Senhora, minha Imaculada, alegro-me conVosco por ver-Vos enriquecida de tanta pureza. Agradeço e proponho agradecer sempre o nosso comum Criador por ter-Vos Ele preservado de toda mancha de culpa. Disso tenho plena convicção, e para defender este Vosso tão grande e singular privilégio da Imaculada Conceição, juro dar até a minha vida. Estou pronto a fazê-lo, se preciso for. Desejaria que o mundo universo Vos reconhecesse e confessasse como aquela formosa aurora, sempre adornada da divina luz; como aquela arca eleita de salvação, livre do comum naufrágio do pecado; como aquela perfeita e imaculada pomba, qual Vos declarou Vosso divino Esposo; como aquele jardim fechado, que foi as delícias de Deus; como aquela fonte selada, na qual o inimigo jamais pode entrar para turvá-la; como aquele cândido lírio, finalmente, que, brotando entre os espinhos dos filhos de Adão, enquanto todos nascem manchados da culpa e inimigos de Deus, Vós nascentes pura e imaculada, amiga de Vosso Criador.

Consenti, pois, que ainda Vos louve, como Vos louvou Vosso próprio Deus: Toda Sois formosa e em Vós não há mancha. Ó pomba puríssima, toda cândida, toda bela, sempre amiga de Deus! Dulcíssima, amabilíssima, imaculada Maria, Vós que sois tão bela aos olhos do Senhor, não recuseis olhar com Vossos piedosíssimos olhos as chagas tão asquerosas de minha alma.


Olhai-me, compadecei-Vos de mim, e curai-me. Ó belo ímã dos corações, atraí para Vós também este meu miserável coração. Tende piedade de mim, que não só nasci em pecado, mais ainda depois do batismo manchei minha alma com novas culpas, ó senhora, que desde o primeiro instante de Vossa vida aparecestes bela e pura aos olhos de Deus. Que graça Vos poderá negar o Deus que Vos escolheu para Sua Filha, Sua Mãe e Sua esposa, e por essa razão Vos preservou de toda mancha? Virgem Imaculada, a Vós compete salvar-me, dir-Vos-ei com S. Filipe Néri. Fazei que me lembre de Vós; e não Vos esqueçais de mim. Parece tardar mil anos o momento de ir contemplar Vossa beleza no Paraíso, para melhor louvar-Vos e amar-Vos, minha Mãe, minha Rainha, minha Amada, belíssima, dulcíssima, puríssima, imaculada Maria. Amém.

Nota do livro: Santo Afonso escreveu o presente livro em 1750, portanto 104 anos antes da promulgação do dogma da Imaculada Conceição. Com este seu trabalho, e com outros escritos ascéticos, contribuiu muitíssimo para mais este triunfo de nossa Senhora.

(Glórias de Maria, Santo Afonso Maria de Ligório, editora Santuário, 18ª edição)

Retirado: http://a-grande-guerra.blogspot.com/2010/12/oracao-de-santo-afonso-senhora.html

VIII DE DEZEMBRO

FESTA DA IMACULADA CONCEIÇÃO DE MARIA

Tota pulchra es, amica mea, et macula non est in te -- «Tu és toda formosa, amiga minha, e em ti não há macula» (Cant. 4, 7).

Sumario. Conveio sumamente ás três pessoas divinas preservar Maria da culpa original. Conveio ao Pai, por ser ela sua Filha primogénita. Conveio ao Filho, porque queria encarnar no seio puríssimo de Maria. Conveio ao Espirito Santo, porque a tinha escolhido para sua castissima Esposa. Façamos um acto de viva fé em tão singular privilégio de Maria, e rendamos graças á Santíssima Trindade, por haver honrado a tal ponto a nossa Mãe. Regozijemo-nos também com a Menina imaculada, e ponhamos nela toda a nossa confiança.

I. Conveio sumamente ás três divinas preservar Maria da culpa original. Conveio ao Pai, por ser Maria a sua Filha primogénita. Como Jesus foi o primogénito de Deus: Primogenitus omnis creaturas [2], assim Maria, destinada a ser a Mãe de Jesus, foi sempre considerada como primogénita de Deus por adopção, e por isso Deus a possuiu sempre pela sua graça: Dominus possedit me in initio viarum suaram [3] -- «O Senhor me possuiu no principio dos seus caminhos». Para a honra do Filho conveio portanto que o Pai preservasse a Mãe de toda a mácula do pecado.

Conveio que o Filho tivesse uma Mãe imaculada. Ele mesmo a escolheu por mãe. Não se pode crêr que um filho, podendo ter uma mãe por rainha, a quizesse escrava. Como então imaginar que o Verbo Eterno, podendo ter uma Mãe imaculada e sempre amiga de Deus, a quizesse manchada e algum tempo inimiga de Deus? – Ainda mais , diz Santo Agostinho: Caro Christi caro est Marie -- «A carne de Cristo é a carne de Maria». Sim o Filho de Deus teria horror de se encarnar no seio de uma Santa Inês, de uma Santa Gertudes, de uma Santa Teresa, pois estas virgens santas, antes do Baptismo estiveram manchadas pelo pecado, de modo que o demónio teria podido lançar-lhe ao rosto que possuia a mesma carne, que já algum tempo lhe estivera sujeita. Mas Jesus não teve horror de incarnar-se no seio de Maria (Non horruisti virginis uterum), porque Maria foi sempre pura e imaculada. – Acrescenta Santo Tomás que Maria foi preservada de toda a culpa actual, posto que venial, porque sem isso não teria sido digna Mãe de Deus. Ora, quanto menos digna teria sido, se tivera sido manchada pelo pecado original, que torna a alma odiosa aos olhos de Deus?

II. Conveio ao Espirito Santo que a sua Esposa predilecta fica-se imaculada. Sendo decretada a redenção dos homens, caidos no pecado, quiz que esta sua Esposa fosse remida de um modo mais nobre, preservando-a de cair em pecado. Se Deus preservou da corrupção o corpo morto de Maria, quanto mais não devemos crêr que preserva-se a alma da Virgem, da corrupção do pecado? – Por isso o Esposo divino a chamou horto fechado e fonte selada; porque na alma bendita de Maria os inimigos nunca penetraram. Elogiou-a ainda, chamando-a toda formosa, sempre amiga e toda pura: Tota pulchra es, amica mea, et macula non est in te [1] -- «És toda formosa, amiga minha, e em ti não há mancha».

Ó minha Senhora formosissima! Alegro-me de vêr-vos tão querida de Deus pela vossa pureza e formosura; e dou graças a Deus por vos haver preservado de toda a culpa. Ah, minha Rainha, já que sois tão amada pelas Pessoas da Santíssima Trindade, não recuseis lançar um olhar sobre a minha alma tão manchada pelos pecados, e obter-me de Deus o perdão e a salvação eterna. Guardai-me e mudai-me . Com a vossa doçura atraiste tantos corações ao vosso amor, atrai também o meu coração, afim de que de hoje em diante não ame senão a Deus e a vós. Sabeis que em vós tenho posto todas as minhas esperanças. Minha amadíssima Mãe, não me desampareis. Assisti-me sempre com a vossa intercessão, primeiro na minha vida e depois especialmente na minha morte. «Ó Maria, vós que entrastes no mundo sem mancha, alcançai-me de Deus que possa deixá-lo sem culpa.» [2] Fazei com que eu morra invocando-vos e amando-vos, a fim de vos ir amar para sempre no paraiso.

«Ó Deus, que pela Conceição imaculada da Virgem Maria preparastes a vosso Filho digna morada, concedei-me por sua intercessão que, assim como, pela previsão da morte desse vosso Filho, a preservastes de toda a mancha de pecado, eu possa chegar a Vós com o coração puro.» [1] Fazei-o pelo amor do mesmo Jesus cristo.

Retirado de: MEDITAÇÕES de Santo Afonso Maria de Ligório - Tomo I